Aprenda a controlar as finanças pessoais e organize as despesas domésticas se você planeja comprar a casa própria!

    Já percebeu quantas vezes ao dia você abre a carteira para realizar pagamentos? Refeições, transporte, contas (de aluguel, telefone, TV a cabo, luz...), roupas ou lazer: gastamos dinheiro sem parar. Registrar tudo no papel ou no computador exige admitir cada uma de nossas despesas - incluídas as supérfluas e as não prioritárias -, e é condição primordial para quem pretende assumir uma compra de longo prazo como a de um imóvel. "As pessoas acham que fazer controle significa perda de liberdade. Não é nada disso! Ter moderação na hora de gastar só aumenta a qualidade de vida", esclarece o educador financeiro Mauro Calil, do centro de estudos Calil & Calil, de São Paulo. Veja a seguir seis tópicos para aprender a lidar com suas finanças.

1. Faça uma planilha

   Comece por identificar quanto você ganha, quanto gasta e se tem dívidas ou dinheiro guardado. É o conselho do consultor financeiro Reinaldo Domingos, presidente do Instituto de Educação Financeira DiSOp, de São Paulo. Após o diagnóstico, registre os gastos diários em um bloquinho ou, de preferência, em uma planilha, como os especialistas indicam. "Ela conduz a uma revisão automática de hábitos, o que nos dá mais critério ao realizar sonhos de consumo do dia a dia", explica José Alberto Netto Filho, professor de educação financeira da BM&F Bovespa, de São Paulo. A planilha ajuda a visualizar o destino de cada centavo, mas pede disciplina e persistência. Para Mauro Calil, se você vencer os cinco primeiros meses, nunca mais abandonará o controle. "Vai passar a sobrar dinheiro da mesma forma que antes faltava e não se sabia", afirma.

2. O preço da casa própria

    Faça do sonho uma meta: "Determine o valor do imóvel desejado e estabeleça um prazo para adquiri-lo", recomenda Reinaldo, do DiSOP. Tenha em mente que os bancos aceitam o comprometimento de até 30% da renda líquida no crédito. Se a renda familiar for de R$ 5 mil e a parcela de R$ 1 500, o padrão de vida vai cair. Reinaldo lembra ainda que, ao financiar a compra, você precisa ter certeza de que poderá bancar as parcelas e ainda deixar o lugar pronto para morar. "Em um apartamento novo, por exemplo, acabamentos, mobiliário, iluminação e seguro custam, em média, 50% do valor do imóvel. O percentual cai para 20% ou 30% no caso de um usado", explica.

3. Reveja as dívidas

    Mauro recomenda classificar as dívidas e eliminar as mais caras, ou seja, aquelas cujos juros são altos - como as do cartão de crédito e as do cheque especial. Ele também atenta para o longo prazo dos créditos imobiliários: "Durante esse tempo, é difícil ficar empregado ininterruptamente, então encurte os financiamentos, se possível".

4. O dia a dia das contas

    "A reeducação financeira é uma questão de hábito e independe do quanto se ganha", afirma Reinaldo. Ele lembra que, com o crédito tão acessível, é comum acabar comprando supérfluos - e usando dinheiro que não é próprio. Como diz Mauro, mesmo quando a capacidade financeira é alta, não se pode realizar tudo.

5. Coisas de casal

    Quando duas pessoas se juntam, passam a ter objetivos comuns, como comprar casa, reformar adquirir móveis ou ter filhos. "O casal pode usar uma ou duas planilhas, mas, com planos em comum, as contas vão se misturar", ressalta Mauro. "É bom porque aumenta o potencial de consumo e de poupança dos parceiros."

6. Imprevistos acontecem

    Para Mauro Calil, "o ideal é manter o nível de consumo ligeiramente abaixo da renda para garantir tranquilidade financeira e uma aposentadoria saudável". Desse jeito, é possível enfrentar os imprevistos com maior segurança. "Caso você perca o emprego, continuará comprometido com aquela prestação equivalente a 30% do que ganhava antes. E isso até o final do crédito", acrescenta Reinaldo. Mauro chama a atenção para mais um item: "Faça um plano de saúde. Se você tiver um filho ou sofrer um acidente, pode gastar milhares de reais na falta de uma cobertura".

 

Fonte: Revista Minha Casa, julho de 2010.